Revista Gás Brasil: Quais foram as principais ações da Cogen-SP ao longo de 2004?
Carlos Roberto Silvestrin: A COGEN-SP Associação Paulista de Cogeração de Energia (www.cogensp.com.br) foi constituída no final de 2003, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da indústria da cogeração de energia no Estado de São Paulo, principalmente a partir do gás natural e da biomassa da cana de açúcar.
As principais ações realizadas durante o ano de 2004 focalizaram a necessidade da criação de um ambiente institucional no setor elétrico favorável ao desenvolvimento da cogeração de energia. Nesse sentido a COGEN-SP ofereceu, ao Ministério de Minas e Energia, propostas e sugestões de ajustes da regulamentação vigente para serem incorporadas no Novo Modelo do Setor Elétrico.
No mercado a COGEN-SP, com a valiosa participação das Empresas Associadas, fomentou a difusão das tecnologias de cogeração e, principalmente, promoveu a divulgação de “cogen show cases”, referentes aos projetos já implantados, visando demonstrar a viabilidade das diferentes tecnologias aplicadas nas centrais de cogeração que já estão em operação (EnergyWorks/Corn Products, Coca Cola, Plaza Iguatemi, Equipav, Cresiumal, entre outras).
Revista Gás Brasil: Entre estas ações quais já se encontram consolidadas e quais foram os resultados obtidos?
Silvestrin: Os principais resultados alcançados em 2004 foram aqueles relativos aos ajustes da regulamentação existente. A cogeração de energia agora está na lei nº 10.848, de 15 de março de 2004 (lei do Novo Modelo) e, também no Decreto nº 5163, de 30 de julho de 2004, que regulamentou “o espaço da cogeração de energia” no contexto do setor elétrico.
Podemos destacar, que a partir do Decreto nº 5163, as empresas interessadas no desenvolvimento de projetos de cogeração terão diversas alternativas para examinarem a oportunidade da cogeração destinada ao auto-consumo e a comercialização de excedentes, junto às Distribuidoras, que foram autorizadas a contratarem o suprimento de energia cogerada até o patamar de 10% da carga do seu sistema. Essas contratações poderão ser efetuadas livremente, através de contratos bilaterais.
A nova regulamentação institucional estabelece condições para o desenvolvimento da indústria da cogeração de energia. Os principais fatores de decisão para a expansão da cogeração são:
a) lastro físico na oferta de energia excedente de cogeração;
b) obrigatoriedade da contratação pelas Distribuidoras de 100% das necessidades do mercado, incluíndo os excedentes de cogeração;
c) maior competitividade na comercialização de energia para os clientes potencialmente livres, com possibilidades de realizarem projetos de cogeração;
d) liberdade para as Distribuidoras adquir até 10% da sua carga de excedente de cogeração;
e) planejamento centralizado da expansão da oferta de energia, com ajustes possíveis de serem efetuados através da geração distribuída;
f) comercialização, através de leilões, para a energia existente e dos novos projetos, com exceção para a cogeração;
g) valor de repasse (VR) da compra de energia para os consumidores, com critérios definidos pelo novo decreto;
h) desverticalização do setor com definição de responsabilidades de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia; e,
i) possibilidades de operação hidro-térmica na oferta de energia de termogeração.
Como resultado das ações desenvolvidas pela Cogen-SP em 2004, junto aos “players da indústria de cogeração de energia” podemos destacar que “nasceu a indústria da cogeração de energia”. Esse novo e favorável “ambiente institucional da cogeração” pode também ser avaliado pelo interesse das empresas na participação das atividades da COGEN-SP.
O quadro de associados dobrou, em relação a 2003. Hoje a COGEN-SP tem como associadas as seguintes empresas: Comgás, Gas Natural SPS, Gas Brasiliano, Petrobras Distribuidora, BG, Repsol, Tractebel Energia, CPFL, Dedini, Siemens, Dalkia, Iqara, Engevix, Koblitz, Guascor, SoftBrasil, Hitachi, Rolls Royce, Turbomeca, Sotreq, AES Eletropaulo, Maubertec, Sofitel São Paulo, Somague, EnergyWorks, Única, Rodobens Gás Natural, Ultratec e Teknergia. Além dessas empresas temos : Areva, Stemac, Woodward, Alstom, Rinnai, Corn Products, entre outras, em processo de filiação.
Revista Gás Brasil: O segmento de cogeração evoluiu em 2004?
Silvestrin: Sim. O ano de 2004 representou o início efetivo do desenvolvimento da Indústria da Cogeração de Energia. Uma sondagem realizada pela COGEN-SP, junto aos seus associados, ressalvadas possívies duplicidades de atuação comercial, indicou uma carteira de cliente potenciais com a seguinte configuração:
Segmento N0 Clientes MW (potencial)
IndústriaAté 5MWAcima 5MWTotal Indústria 8853141 1682.3792.547
Comércio e Serviços 55 48
Total Cogen Gás Natural 196 2.595
Bioeletricidade (biomassa da cana) 40 1.286
Total Geral 236 3.881
Revista Gás Brasil: A cogeração a gás natural apresentou evolução significativa?
Silvestrin: A cogeração de energia a partir do gás natural foi o grande destaque do avanço da cogeração de energia, principalmente projetos dos clientes ligados no sistema da classe 15 kV, pois para esses clientes a cogeração está muito mais competitiva com as atuais tarifas de energia elétrica que estão sendo praticadas.
Cabe destacar que em 2004 foram colocadas em operação no Estado de São Paulo, principalmente as centrais implementadas pela Iqara para os seguintes clientes: Hotel Sofitel, Supermercados Sonda e Shopping Taubaté. No primeiro semestre de 2005 deverão entrar em operação novas centrais da Iqara (Caesar Park Hotel, Inapel, Cloroetil, Supermercados Sonda, entre outras).
É importante também destacar que a carteira de clientes potenciais de cogeração apresenta um maior número de interessados na cogeração a gás natural devido a capilaridade da rede de distribuição, que está sendo expandida no Estado de São Paulo.
Revista Gás Brasil: Uma análise do ano de 2004.
Silvestrin: O ano de 2004 podemos admitir que foi o “ano do início da indústria da cogeração de energia”. Avançamos na regualmentação e, principalmente, no interesse dos clientes potenciais, conforme pode ser observado na análise dos números da carteira de clientes de cogeração identificada pelos associados da COGEN-SP.
Revista Gás Brasil: Quais são as perspectivas e propostas da Cogen-SP para 2005?
Silvestrin: As perspectivas da COGEN-SP, para o ano de 2005 são: viabilizar um maior número de projetos da sua carteira de clientes, principalmente, os projetos de cogeração a gás natural.
Com relação a utilização da biomassa da cana a COGEN-SP diagnosticou que o PROINFA não despertou interesse significativo da indústria sucro-alcooleira. Para tanto, a COGEN-SP está desenvolvendo estudos visando definir um novo projeto para fomentar a cogeração de energia aprtir da biomassa da cana. Esse projeto que denominamos “Bioeletricidade” já está sendo formatado considerando todas as características principais desse segmento de cogeração.
A biomassa da cana tem como atributos principais:
a) previsibilidade assegurada;
b) sazonalidade definida;
c) distribuição espacial configurada no centro de gravidade da demanda de energia elétrica;
d) tecnologia e experiência comprovada; e,
e) expansão da oferta de biomassa assegurada e sustentável. Portanto, a biomassa da cana poderá contribuir para aumentar a oferta de energia diretamente no sistema de distribuição, reduzindo e evitando custos para os sistemas de transmissão e de geração de energia.
Portanto, os associados da COGEN-SP apoiam o desenvolvimento do projeto Bioeletricidade e demonstram grande interesse na sua formatação e implementação, a partir de 2005.
Carlos Roberto Silvestrin
Vice Presidente Executivo
Cogen-SP Associação Paulista de Cogeração de Energia
silvestrin@cogensp.com.br
Vanusa Bezerra